Sayonara Eri - One-shot | Resenha.

 

Sayonara Eri - One-shot
Lançamento: Abril de 2022
Revista: Shounen Jump+
Roteiro e Arte: Tatsuki Fujimoto
Nota: 5/5

Estava eu assistindo a boa e velha live do endpdc (na Twitch) e o careca budista chamado Ig0y, começou a falar sobre Tatsuki Fujimoto e seu talento com narrativas e arte. No meio disso tudo ele (Ig0y) comentou sobre Sayonara Eri, os comentários dele sobre a obra me despertaram o interesse sobre ela e eu acabei indo atrás dessa maravilha.

Obra começa com o protagonista, Yuta, ganhando um celular no seu 12º aniversário e um pedido muito estranho de sua mãe, ela quer que seu filho de 12 anos comece a filma-la com seu novo celular, até o dia de sua morte! A mãe de Yuta tem uma doença, da qual não é nomeada durante toda a obra, e ela está na sua fase terminal.
Eu confesso que fiquei surpreso assim que li essa página, mas o Yuta topa mesmo se sentindo desconfortável com essa ideia, e a obra tem o seu start aí, Yuta filmando sua doce e meiga mãe no dia a dia da família. No meio desses dias felizes, chegou o momento da morte da mãe de Yuta e essa cena é impressionante, ela é muito bem feita por conta do enquadramento e... ADEUS MÃE! Simplesmente sensacional.

Essas filmagens foram exibidas em um festival da escola do Yuta, no qual ele foi o editor e diretor desse curta-metragem. Algumas coisas aconteceram logo após a exibição do filme, o que levou o Yuta a cogitar o suicídio mas ele é impedido pela Eri (sim, a personagem do título), que o reconhece e o leva pra um lugar muito estranho onde eles passam seus dias assistindo filmes. Ela é bem direta nas suas falas, tem uma personalidade bem firme e que parece não se abalar com muitas coisas, já o Yuta é um pouco de tudo, ele tem inseguranças, seus momentos de brincadeiras, medos e um toque pra fantasia maravilhoso.
E eles dois funcionam muito bem juntos, a química entre eles é bem trabalhada, os dois meio que se entendem em tudo, mais ela do que ele pois o Yuta é mais avoado, mas a interação entre eles é bem legal de acompanhar ao longo da história.

Esse lance de "como vamos nos lembrar dos nossos entes queridos", é bem colocado aqui nessa obra, na verdade é um dos seus temas centrais, a gente meio que escolhe como vamos nos lembrar deles, alguns escolhem lembrar só das coisas boas, outros, mais amargurados, só das coisas ruins e tem os mais equilibrados, aqueles que mesmo lembrando das coisas boas, eles também lembram das coisas e momentos ruins mas com certo apreço que tinha por aquela pessoa. O Fujimoto consegue por a gente pra pensar nessas coisas, de maneiras que não precisam ter um drama muito pesado. No começo da obra com seus momentos fofinhos, esses elementos e ponderações já aparecem logo de cara, o que eu achei muito bom pois já nos põe para refletir sobre como vamos encarar esses momentos de luto ao longo da vida, se vamos só pensar nas boas, ou más, lembranças com afeto, ou se iremos ficar na tristeza sem seguir com nossas vidas.

Na parte técnica esse One-shot foi muito bem feito, foi meu primeiro contato com o Fujimoto e de cara eu já adorei o traço dele e forma como ele desenvolve a narrativa, ele soube muito bem mesclar a realidade com a fantasia de um filme, digo isso pois os enquadramentos do mangá é como se fosse de um celular filmando na horizontal, então fica nesse joguinho de realidade ou de apenas ser uma filmagem do celular.
A arte do Fujimoto é tão bonita até em seus detalhes, os cenários são lindos, a Eri é maravilhosa de tão linda que é, e essa ideia de fazer como se fosse um filme com a câmera deitada funcionou muito bem com a narrativa.

Olhem essas páginas (não são spoilers) do mangá e vejam a beleza delas:


Entenderam agora o motivo de eu gostar tanto dessa obra? Toda a arte é muito rica e detalhista, mesmo sendo uma história onde os temas são meio pesados, na arte é possível ver beleza e leveza na obra.

Esse meu primeiro contato com o Fujimoto me fez perceber que ainda existem muitos autores experimentais nessa indústria de mangás, caras que não tem medo de se arriscarem em coisas novas, explorarem mais e evoluírem a sua arte, contar histórias com um modo diferente de construir e desenvolver uma narrativa.

E é isso meus amigos, eu espero que tenham gostado dessa curta resenha, eu pretendo continuar trazendo obras mais reflexivas pra vocês e também pretendo trazer mais obras do Fujimoto e também do Arai Hideki, que é outro autor que me despertou muito interesse nesses últimos tempos.

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